Parque industrial opera a 77% da capacidade instalada, segundo a Abit, e falhas de processo, que vão da manutenção ao layout de fábrica, ajudam a explicar a diferença
Relaxadeira da Delta Máquinas transforma o preparo de malhas e tecidos em uma etapa ativa, controlada e orientada por dados.
O parque industrial têxtil brasileiro, que reúne mais de 22 mil empresas e responde por cerca de 1,3 milhão de empregos diretos, operou a 77% de sua capacidade instalada no primeiro semestre de 2025, segundo boletim da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). A distância entre o que a indústria poderia produzir e o que efetivamente produz raramente é só uma questão de demanda. Em boa parte dos casos, o entrave está no chão de fábrica.
Máquina parada por falha não prevista, teste de laboratório que consome horas de energia e matéria-prima, layout que obriga o produto a percorrer caminhos desnecessários são alguns dos tipos de gargalo operacional que corroem margem de forma silenciosa, sem aparecer diretamente em nenhum indicador macroeconômico.
Parte da solução passa por reduzir o tempo perdido em etapas que, tradicionalmente, dependem de espera. É o caso do descanso da malha antes do corte, que pode levar mais de 48 horas em processos sem automação. Este prazo pode cair para cerca de 10 minutos de rolo a rolo, com o uso de equipamentos como as relaxadeiras com a tecnologia patenteada da Delta Máquinas Têxteis, fabricante catarinense de maquinário para o setor. O mesmo raciocínio vale para os testes de avaliação dimensional: processos que hoje tomam até três horas em laboratório podem ser reduzidos a 15 minutos com lavadoras de amostras que automatizam a resposta.
Para Fábio Kreutzfeld, CEO da Delta, o ganho real não está na máquina isolada, mas na forma como ela reorganiza o processo. “Não adianta automatizar uma etapa se o gargalo seguinte continua manual. O resultado só aparece quando a indústria olha para a linha de produção como um todo, do teste de laboratório ao acabamento”, afirma o executivo.
Calcular corretamente a capacidade produtiva, adequar o layout de fábrica ao tipo de operação e investir em manutenção preditiva também aparecem como pontos recorrentes entre os fatores que travam a produtividade do setor. Combinados, esses elementos explicam por que, mesmo em um cenário de recuperação (as exportações têxteis cresceram 11,6% em volume no início de 2025, segundo a Abit), parte da indústria segue operando abaixo do seu potencial.
Diante de um setor que soma R$ 215 bilhões em faturamento anual e enfrenta pressão crescente por competitividade frente aos importados, o caminho apontado por especialistas é menos sobre expandir capacidade instalada e mais sobre eliminar as perdas que já existem dentro da fábrica. “A indústria têxtil brasileira não vai crescer construindo mais fábricas, ela vai crescer fazendo cada máquina que já possui produzir melhor. É esse o investimento que faz diferença no resultado do ano seguinte”, avalia Fábio.
Gargalos operacionais comprometem a margem da operação de forma silenciosa, sem aparecer diretamente em nenhum indicador macroeconômico.
Sobre a Delta Máquinas Têxteis
Fundada em 2007, em Pomerode (SC), a Delta Máquinas Têxteis é referência em tecnologia para otimização da produção industrial têxtil, através do desenvolvimento de máquinas, equipamentos e softwares. São mais de 60 produtos em seu portfólio, aplicados aos processos de tecelagem plana, malharia circular, estamparia digital, beneficiamento e confecção. A Delta desenvolve, ainda, projetos de automação customizados, de acordo com a necessidade de cada cliente. Com foco na indústria 4.0 têxtil e confecção 4.0, alinha automação, gestão de dados e padronização de processos inteligentes. Suas soluções já estão presentes em toda a América, com mais de 300 clientes atendidos.
Fonte: Trevo Comunicação



